texto exposiçao MAM fev. 2012

O retorno da coleção Tamagni: até as estrelas por caminhos difíceis        12 JAN – 11 MAR

 

O Museu de Arte Moderna de São Paulo retoma sua história de forma analítica com a exposição O retorno da Coleção Tamagni: até as estrelas por caminhos difíceis, que abre no dia 12 de janeiro (quinta-feira), a partir das 20h. Primeira exibição completa desde 1968 da doação póstuma de Carlo Tamagni (colecionador e conselheiro do museu) realizada em 1967 ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, a mostra com curadoria de Felipe Chaimovich e Fernando Oliva promove um debate sobre o papel do MAM-SP durante sua trajetória. Isso abrange desde a perda de toda sua coleção original, doada à USP em 1963, até a chegada do espólio de Tamagni em 1967 e a volta a uma sede própria (o mesmo prédio de hoje) em 1969, chegando aos dias atuais.

 

A mostra, realizada simultaneamente na Grande Sala e na Sala Paulo Figueiredo, tem entrada gratuita durante as férias escolares, no período de 12 de janeiro a 22 de fevereiro de 2012. O coletivo Fora do Eixo comanda o DJ Residente de 2012, projeto que propõe sons para os diversos ambientes do museu, incluindo os espaços expositivos. Acompanhando a primeira exibição de 2012, o coletivo explora composições colaborativas entre seus integrantes e convidados, e faz apresentação no coquetel de abertura.

 

Em vez de assumir uma postura descritiva ou definitiva diante da trajetória do MAM-SP, os curadores partiram do conceito de reencenação do filósofo e historiador britânico Robin George Collingwood (1889-1943), que considera que a remontagem literal de eventos passados é impossível, dadas as diferenças incontornáveis de espaço e tempo. Na visão de Collingwood, é possível fazer uma reencenação dos fatos passados, ou seja, pode-se remontá-los dentro das restrições inerentes, e o público é quem vai completar esse processo, por meio da sua presença no espaço da exposição e sua participação, considerando-se a distância temporal e a análise dos vários fatores que contribuíram para tal acontecimento. A própria montagem da exposição contribui para esse resultado.

 

Além de contar com a exibição completa da Coleção Tamagni pela primeira vez na sede definitiva do museu, já que sua primeira e única exposição total foi realizada em 1968 em um auditório emprestado na avenida Paulista, a mostra tensiona a heterogeneidade desse espólio com a inclusão de algumas obras contemporâneas, principalmente da Máquina curatorial, de Nicolás Guagnini. Essa obra, constituída por diversos painéis em forma de hélice, será o suporte de obras e de documentos presentes na exposição. Com isso, a participação do público é novamente ressaltada, já que, girando as estruturas da Máquina curatorial, os espectadores podem mudar a configuração das obras, fazendo novas combinações entre elas e permitindo novas interpretações.

 

A Coleção Tamagni tem teor predominantemente modernista, com obras de Tarsila do Amaral, Aldo Bonadei e Francisco Rebolo, mas flerta sutilmente com a vanguarda dos anos 1940-50 nos trabalhos de Fernando Lemos, Livio Abramo e Arnaldo Pedroso d’Horta, entre outros. Para salientar ainda mais os diferentes rumos que o acervo do MAM foi tomando ao longo de sua história, trabalhos contemporâneos como Totó treme-terra, do coletivo Chelpa Ferro, e Palhaço com buzina reta – monte de irônicos, de Laura Lima, se espalham pelo espaço expositivo.

Um aspecto crucial da história do museu ganhará novas possibilidades de compreensão: o momento entre 1963 e 1968, quando, destituído de seu acervo original, o Museu de Arte Moderna de São Paulo existe apenas como nome, sem obras e sem um espaço físico de fato que não exíguas salas administrativas, enquanto conselheiros, como Giselda Leirner e Henrique Mindlin, lutavam pela manutenção da existência, do nome e do papel do MAM na cena artística nacional e internacional.

 

Essa etapa dramática é retomada em documentos e cartas que são resultados de uma pesquisa realizada por Fernando Oliva, como as enviadas pela diretoria do MAM ao magnata norte-americano e fundador do MoMA Nelson Rockefeller. Figura também na mostra a carta redigida pelo crítico Mario Pedrosa, na qual ele fala de “medidas para salvar o MAM de São Paulo” e de “observações destinadas ao futuro presidente do museu”.

Esses aspectos da retomada do museu e de sua volta a um papel atuante e relevante no cenário artístico nacional ganham uma nova dimensão com documentos até então desconhecidos do grande público, que então pode compreender os bastidores não só do MAM, mas da consolidação de uma cena artística brasileira como um todo. Partindo da trajetória errática do Museu de Arte Moderna de São Paulo, emblemático e, hoje, comprometido com o debate das novas questões surgidas a cada dia no mundo da arte no Brasil e exterior, o espectador percorre uma história que vai do passado em direção aos novos caminhos da arte no século XXI.

(fonte: site do MAM)

Anúncios

Sobre marianabaliego

Professora de arte do ensino fundamental e médio.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s